18.2.12

Criar Sobre Uma Discussão

Uma arma pode assumir diversas posições; (1,0) ou (-1,0), se é que você me entende. Mas nosso mundo não é a reta real, e nessa universidade certamente uma arma pode assumir a posiçao (-5,1,3) ou qualquer outra - não se iluda. Um objeto também pode assumir muitas funções, creio eu. Não sei quanta criatividade as pessoas têm para isto, mas certamente uma pedra já fez fogo para acolher, antes de ser arremessada como uma arma.

Certamente é preciso um pouco mais de calma - e muito senso crítico bem aguçado - para absorver o significado, cada vez mais profundamente, de uma ação. Ao longo do tempo os mais novos semper ouvem histórias, o que aconteceu ano passado, ou há dois anos; como foi mesmo a última greve, quão absurda foi a ação dos alunos ou da reitoria ou da polícia ou da sociedade! E nós já sabemos que não existe relato - nem jornalismo - imparcial, mas também poucos se dão ao trabalho de colherem dados com pessoas "estranhas".

Certamente muita coisa há para ser dita, mas seria interessante se, sobre toda discussão, pairasse um sentimento da criatividade - será que não pode ter acontecido diferente? Um objeto tem sempre uma função predefinida? Uma posição já estabelecida? Eu posso estar distorcendo tudo o que leio neste exato momento?

27.11.11

eis a questão

supondo num mundo hipotético que eu tenho uma espécie de "deficiência psicológica", por assim dizer, que me coloca numa situação em que eu sempre me apóio nas outras pessoas com quem me relaciono. eventualmente em amigos ou namorado, ou algum parente.

supondo que eu me apóio justo na pessoa (ou nas pessoas) com quem minha relação é mais estreita, de modo que eu acabo transformando o que era uma relação muito íntima e próxima numa série de cobranças e exigencias pois eu me apoio e jogo muitos pesos.

o ponto é, normalmente nós não conseguimos resolver este tipo de problema sozinho. claro que a mente é só minha, logo é dentro dela que a coisa tem que ser resolvida, mas de todo modo é muito difícil resolver esse tipo de coisa sozinho. por outro lado, não é justo exigir de nenhuma destes individuos em questão que me ajudem, pois justamente a idéia é não me apoiar neles.

se eu vou a um psicólogo, ele também não vai resolver meu problema, mas vai me apontar como resolvê-lo, de modo que, se eu de fato não consigo resolver sozinho, um psicólogo não vai resolver comigo e eu não posso recrutar a ajuda de nenhum dos meus relacionados mais próximos, o que eu faço?

só me resta dançar um tango argentino?

26.11.11

um ponto a se considerar numa argumentação é o caminho utilizado para chegar naquele ponto.

ainda há muito pra se pensar sobre isso, mas aparentemente muitas pessoas costumam criar a conclusão antes do argumento. se

19.11.11

a dimensão do problema

"Você nunca teve dessas coisas? De ter um sonho incrível e ficar fazendo uma força mental pra lembrar depois mas não conseguir?..."


eu havia combinado com um grande amigo de encontrar na galeria do rock. era um desses passeios de fim de semana, dar umas voltas e ir pra casa depois. estava esperando na entrada do largo do paissandu e resolvi visitar o andar subsolo enquanto ele não chegava.

acontece que nós somos bastante entusiastas de culturas diferentes, de modo que me chamou atenção aquela porta com escritas em árabe de onde vinham cheiro e música típicos. o fundo do letreiro era verde mas as letras eram brancas. havia cortinas tampando a entrada e janela.

pensei durante um tempo no quão estranho um lugar daqueles no subsolo da galeria e em como eu nunca tinha visto antes, mas certamente minha maior vontade era de entrar e, quem sabe, me deparar com o inesperado.

quando, entretando, no intuito de continuar esperando, voltei para o andar térreo, vi a total destruição. não havia mais galeria, lojas ou pessoas, mas ruínas.

não tinha havido barulho ou pandemonio, a real impressão é que aquele lugar estava em destroços desde muito tempo atrás - mas a estrutura ainda era a mesma, havia inclusive as escadas para outros andares. era um prédio destruido onde há alguns segundo atrás eu estivera.

numa vã tentativa de reação, desci novamente e entrei numa porta onde havia luz e algum barulho. dois homens conversavam num salão de cabelereiro - eles não eram nada afeminados, ao contrário do que pode se esperar da situação. os dois corpulentos, lembravam Samuel L. Jackson e John Travolta em "Pulp Fiction", mas os dois brancos. Quando entrei, um deles falava ao outro (e pareceu não reagir à minha presença).

"você faz isso o tempo todo! eu sempre proponho algo novo e a sua primeira reação é dizer não! você nem pensa, só diz não!"

"isso não é verdade!"

"... é sim. Parece que você está sempre num estado de inércia, tudo que eu proponho é recebido como uma propensa alteração e então você nega. não se dá nem ao trabalho de pensar se isso será interessante ou não, nada!"

mais ou menos nesse ponto, eu perguntei o que estava acontecendo, porque tudo estava em ruínas, onde estavam as lojas e tudo mais. os dois olharam pra mim, como se até então não tivesse notado minha presença, e o primeiro disse num espanto "como você veio parar aqui?". eu não faço idéia de como fui parar ali. "aqui é o mesmo lugar de antes, mas numa outra dimensão. as mesmas pessoas que existem naquela dimensão onde você estava também existem aqui, mas de outro jeito..." o segundo homem me olhava estupefato - com a mesma expressão que o primeiro tentava esconder.

e continuaram me olhando.

o que foi? "o que foi? acontece que você sou eu na outra dimensão! você não pode ficar aqui! nós não deveríamos nos conhecer nem conversar!"



e neste ponto eu acordei na dimensão e cama que me pertencem.

17.11.11

a realidade

a realidade não pode ser escrita aqui, mas de fato notei uma incapacidade minha de inventar histórias.

nem sei se isso existe, mas acho que meu dia por si só já pode ser uma história curiosa, veja isso:

existe uma polarização de gostos atualmente (para mim) em que de um lado existem suculentas e deliciosas partituras de Chopin, Mozart, Beethoven e - o melhor - Rachmaninoff. Do outro lado, chego a uma estágio da graduação em que fenômenos realmente mais complexos e bonitos começam a ser descritos com o uso de equações realmente belas de formas bem interessantes.

minha vontade hoje? largar tudo e tocar piano a vida toda. e fazer uma vida em cima disso. e eu não sei que, no minuto em que eu me perceber fora da faculdade de física, vou sentir um monstruoso arrependimento?

qual é a história então? bem, hoje tive prova de mecânica (1). não estudei muito (na realidade, quase nada) e não fosse um grande amigo que me explicou toda a matéria em um dia, eu teria ido pra prova literalmente sem ter estudado. pois bem, acontece que eu consegui fazê-la inteira, e sai do auditório até meio capenga - como sempre.

eis que a professora vira pra mim e diz:

"Peeedro! O que está acontecendo com você? E o que aconteceu com o Hector? Já é a segunda prova que ele perde!"

no que eu respondo:

"Hector? Ele não está aqui?" e olho para a sala. ele não estava. eu não sabia o que estava acontecendo com o Hector. mas suspeito que o problema dele não é tão diferente do meu. e aqui preciso deixar claro uma coisa:

o que eu estou produzindo, efetivamente, nessa graduação? NADA. quando penso em quantos projetos (ou coisa que o valha) fazem os alunos da POLI ou FAU, Musica, Artes Plásticas, Audio Visual, ....

pois bem, entrando na sala de estudos, me deparo com o Hector. e nesse ponto a história ganha travessões.

- Hector! O que houve com mecânica!?
- Ah, eu não tive tempo, pretendo começar a estudar hoje....
- Ué, mas a prova acabou agora!
- Sim, eu sei, mas vou estudar para a última prova.
- Mas a Blak disse que você falou em duas provas já...
- Eu faltei...?

....


o que dizer? quem dera. acho que eu queria um motivo bem forte e intransponível para ser obrigado a largar a graduação.

por hora, tento acabar com ela do modo pacífico mesmo.

2.11.11

recital que fiquei devendo

eu estou aqui parado diante destes botões, minha visão está em preto e branco no momento
repouso uma mão, depois a outra
depois retiro as duas
_
existe uma tensão no ar que aumenta conforme o suspense - eu estou com medo
_
me proponho a pensar em outra palavra um pouco mais rebuscada, mas nada me vem a mente, e estou apenas com medo
_
tudo bem, ponho meus dedos trêmulos, respiro fundo
_
começo.
_
o que há? simples, um tropeço. minhas mãos simplesmente param, novo clima se instaura, mais turbulência e recomeço, desta vez atropelando
_
atropelando. tudo
_
atr.op.elo
_
...... não lembro o que houve ......
_
quando acabo, não lembro o que aconteceu, não ouvi - mas sei que foi ruim
_
aplausos
me levanto, mal consigo olhar alguns rostos, e saio
_
estou fora
até
agora

sentimento

no meio do pasto
sozinha ao relento
uma
bosta
seca
ao sol da fazenda
na grama verde