De paredes de portas, cimento com madeiras, o breu ilumina lentamente a pouca claridade. Respira fundo, no fundo; sentadas pernas envergonhadas batendo convivem com mãos desajeitadas e quadris, dançam, caminham; garçons e garçonetes, dancervem, drinks dançantes; cores em todo canto.
Ao fim da semana, cansados, homens e mulheres procuram abrigo nos bares da cidade; cachaça, sinuca, vinho, cerveja, azeitona, futebol, cada canto no seu qual – mas apenas um lugar respira, vivo; no fundo da esquina de um estacionamento pequeno, lugar suspeito, um sorriso de cheshire e chapéu á porta. Um corredor em que se ouve o sussurro dos instrumentos despertando, a luz garoa em cantos, arte nas paredes do lugar; evaporam sons que sobem e brilha o céu.
Estas noites, ah noites de jazz, não acabem mais!
Enquanto a noite não começa, os músicos afinam; pérolas aos poucos, quase ninguém, casais apaixonados, solitários, a noite ainda borbulha quando o DJ tenta suprir a vontade. Algumas cervejas, meias horas, abraços, e sobe ao palco, um a um, a banda completa. Power trio; quinteto; quarteto; capela; septeto; o que for! Sobe e enlaça como a bois o público que conversa; alguém apresenta, nome e instrumento seqüencialmente, e começa a transa.
O cordão d’água do contrabaixo que puxa o som salgado da bateria; os metais cortam suavemente a fumaça da caixa; o piano só prepara seu feitiço pra hora certa - a boa música te ensina a dançar na hora, eterna parceira. Nesse momento, aos poucos começam a respirar – depois de dias segurando o fôlego, as paredes de borracha.
Em toda parte da cidade, pessoas dormem nos restaurantes, baladas, festas; estáticos corpos em pancadões e bambas pagodes: só nos cantos escuros em que soam os velhos jazz e blues é que há vida, é que se pode viver.
Assim então, fervendo nesse denso caldeirão, segue a noite musical, transcorrem as horas, para começar uma nova semana de espera, cinza na cidade que chove – pede música o céu.

5 palpites:
And all that jazz! :D
Adorei, Zap :*
vc precisa me apresentar ao seu jazz ...
senhor H!
Fiquei pensando... no simulacro. O espaço do jazz habilmente criado/fabricado para parecer alternativo. Parecer! O comportamento previamente escolhido, segundo o que se espera dos ouvintes do jazz. O que se espera! Seriam o espaço e comportamento dos bailes funks e pagodinhos menos legítimos que os jazz? Mas não importa, este texto é literário.
JAMAIS SERÁ JAZZ
(1ª parte)
jamais será jazz
se não for assim
prá você, prá mim
mequetrefe, chinfrim
jamais será jazz
se não profanar
íncubo, deliciar
laico, sacralizar
(2ª parte)
trans - cor - rer
iri - des - cen - te
trans - cen - der
in - can - des - cen - te
trans - bor - dar
cal - ma - men - te
Há [todo] um jazz no fim do mundo.
=]
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