22.3.11

dentro do meu monstro

queria fazer mais um conto sobre um garoto que anda por aí pensando na vida, tomando chuva e tudo o mais. durante todo o processo desse eu gostaria de descrever melancolicamente a cidade e os olhares das pessoas, como se fossem praticamente et's, incapazes de entender a angústia dentro do peito da personagem.

eu gostaria de torturar o máximo possível essa personagem, e se você ainda não entendo o que estou dizendo volte no tempo, talvez re-lendo os textos de um ano e meio atrás, desse blog mesmo, e verá que esta é a minha receita favorita.

não é a minha favorita porque foi a unica que eu aprendi, mas sim pois é mesmo muito prazeroso criar esses cenários e tudo o mais. sempre lembrando que a melhor parte de tudo é, no final, matar a personagem principal de um modo ao mesmo tempo idiota e altamente dramático, representando a minha própria morte.

eu nunca quis morrer, na verdade o meu maior medo [isso é um segredo, não conte pra ninguém] é justamente esse. e por ser ateu, isso dói a little bit harder. a questão toda aí é que...não consigo explicar muito bem, mas REALMENTE tudo pra mim faz mais sentido se for em preto e branco, com chuva, dor e morte no final!

não sei nem se isso chega a ser uma visão de mundo, uma política, só me faz sentir bem...eu gosto de sentir essa dor, é bizarramente prazeroso chorar quando eu lembro que vou morrer [sim, isso é daquelas coisas que me faz chorar em cinco minutos].

e por isso, de tempos em tempos, eu preciso recriar aquele cenário de sofrimento, mas eu juro que é para o meu bem.


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