não é meu costume escrever desse modo. ou não tem sido, mas percebo que há tanto que queria dizer, e após tremendo esforço em fazer algum conto, dissertação, poema, qualquer coisa que me escape, de nenhum modo consegui. suponho que seja uma necessidade de expressar que não encontrei modo artístico [ao menos não do ponto de vista literário] e farei deste mesmo - apesar de que, como bem sabem os que conversam comigo pela internet, não é bem assim que me comunico, caracterizando este texto, de certa forma, justamente pela sua forma, como artístico.
parte é sobre uma 'teoria', e mais tarde explico o nome, mas agora me limito a explicá-la: imagine que uma mulher (pra não dizerem que sou machista) vá à praia e decida cavar um buraco na areia. Ela pega uma pá, crava, tira um pouco de terra, enfia novamente, mais terra, e segue assim. Após algum tempo, o buraco se constitui, ela olha e diz "Eu cavei um buraco. Isto é um buraco - o meu buraco". Entretanto, se ela num lapso decide colocar uma pá de terra de volta, aquilo ainda é um buraco. E se decidir tirar uma, idem. Como podemos repetir o processo indefinidamente tanto para mais como para menos, me pergunto quando o buraco passou a existir.
sim, pode parecer idiota, mas eu me pergunto esse tipo de coisas - e outras do mesmo nível. Mas essa questão é apenas ilustrativa, pois na ocasião acabara de 'concluir temporariamente' o que penso sobre o amor. Penso que desse modo amo e crio amor pelos outros.
acontece que mais tarde, numa viagem de ônibus, pensando justamente nas supracitadas formas artísticas que poderia tomar essa analogia, achei que os sentimentos todos são razoavelmente explicáveis sob esse olhar, considerando que buracos podem ser delgados na superfície e afinarem, ou o contrário, e - o que eu adorava fazer quando criança - sempre podemos criar três buracos e interligá-los por baixo da terra, fazendo túneis e até construir masmorras com a areia molhada que sai dali.
tudo isso, sim, tem seu lugar na minha 'teoria' que considero auto-explicativa antes que se torne mais idiota ainda. A palavra teoria, aliás, está entre ' ' pois apesar de ser um modelo criado pro mim para tentar explicar - até que outro modelo melhor apareça - a realidade, e também me ajudar a entendê-la, não necessariamente se aplica à realidade como um todo, mas sim à minha particular.
a outra parte disso tudo, ainda não vêm. Quem sabe quando estiver mais madura, eu descasco e divido com vocês.
3 palpites:
Você realmente tá tentando transpor o Paradox da Pilha para as emoções humanas?
1. Taí! O amor é um buraco! Mais raso ou profundo, é um buraco. Linear ou tipo galeria, vasos comunicantes, é um buraco. Buraco que se cava e se entra, por vezes, voluntariamente. Buraco no qual se deseja ficar e do qual se quer sair. Sair para cavar outros buracos. O ideal seria cavar, entrar e sair ao bel prazer. Ou que o buraco não fosse um buraco. Mas aí não seria amor. Buraco, buraco, buraco...
2. Lembrei do conto A Construção de Kafka no qual ele fala de um... buraco. Recomendo vivamente a leitura.
3. Bj.
Após divagar sobre o tema "o amor como buraco" quase briguei... por amor. Então, fiquei pensando em outras imagens possíveis: o amor como montanha, praia deserta, árvore frondosa, sertão, blog, livro aberto, copo vazio, vaso sanitário, caca de nariz, etc.
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