eu havia combinado com um grande amigo de encontrar na galeria do rock. era um desses passeios de fim de semana, dar umas voltas e ir pra casa depois. estava esperando na entrada do largo do paissandu e resolvi visitar o andar subsolo enquanto ele não chegava.
acontece que nós somos bastante entusiastas de culturas diferentes, de modo que me chamou atenção aquela porta com escritas em árabe de onde vinham cheiro e música típicos. o fundo do letreiro era verde mas as letras eram brancas. havia cortinas tampando a entrada e janela.
pensei durante um tempo no quão estranho um lugar daqueles no subsolo da galeria e em como eu nunca tinha visto antes, mas certamente minha maior vontade era de entrar e, quem sabe, me deparar com o inesperado.
quando, entretando, no intuito de continuar esperando, voltei para o andar térreo, vi a total destruição. não havia mais galeria, lojas ou pessoas, mas ruínas.
não tinha havido barulho ou pandemonio, a real impressão é que aquele lugar estava em destroços desde muito tempo atrás - mas a estrutura ainda era a mesma, havia inclusive as escadas para outros andares. era um prédio destruido onde há alguns segundo atrás eu estivera.
numa vã tentativa de reação, desci novamente e entrei numa porta onde havia luz e algum barulho. dois homens conversavam num salão de cabelereiro - eles não eram nada afeminados, ao contrário do que pode se esperar da situação. os dois corpulentos, lembravam Samuel L. Jackson e John Travolta em "Pulp Fiction", mas os dois brancos. Quando entrei, um deles falava ao outro (e pareceu não reagir à minha presença).
"você faz isso o tempo todo! eu sempre proponho algo novo e a sua primeira reação é dizer não! você nem pensa, só diz não!"
"isso não é verdade!"
"... é sim. Parece que você está sempre num estado de inércia, tudo que eu proponho é recebido como uma propensa alteração e então você nega. não se dá nem ao trabalho de pensar se isso será interessante ou não, nada!"
mais ou menos nesse ponto, eu perguntei o que estava acontecendo, porque tudo estava em ruínas, onde estavam as lojas e tudo mais. os dois olharam pra mim, como se até então não tivesse notado minha presença, e o primeiro disse num espanto "como você veio parar aqui?". eu não faço idéia de como fui parar ali. "aqui é o mesmo lugar de antes, mas numa outra dimensão. as mesmas pessoas que existem naquela dimensão onde você estava também existem aqui, mas de outro jeito..." o segundo homem me olhava estupefato - com a mesma expressão que o primeiro tentava esconder.
e continuaram me olhando.
o que foi? "o que foi? acontece que você sou eu na outra dimensão! você não pode ficar aqui! nós não deveríamos nos conhecer nem conversar!"
e neste ponto eu acordei na dimensão e cama que me pertencem.
3 palpites:
Desenha pra mim os sujeitos. Você precisará de canetas extras caso eles sejam de dimensões superiores...
Sounds familiar. :)
Bem, após ler isso, acho que vários de meus sonhos também ocorreram em outras dimensões.
Isso também me lembrou um episódio de Futurama.
Alguém em outra dimensão deve ter postado que , em outra dimensão é loiro, de olhos azuis, incherido e curioso ahahahhahah. Seria interessante encontrar em um Blog aleatório o seu correspondente.
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